| TPM
A Tensão Pré-Menstrual (TPM) é um mal que atinge
uma grande parte da população feminina. É um período leigamente
muito conhecido como "aqueles dias" . Mas será que isso
é normal? Será que todos os meses você precisa "sofrer",
passar por isso? Com uma grande variedade de intensidade
e de sintomas, a TPM acaba dependendo do estado emocional,
físico e da idade da pacientes.
Após esses estudos chegou-se à conclusão de
que as pacientes portadoras de TPM podem e devem ser tratadas
adequadamente. A paciente nota sensível melhora com o tratamento,
seus filhos e maridos agradecem assim como seus colegas
de trabalho.
Muitos estudos vêem pesquisando sobre as eventuais
causas da TPM e, até agora, pode-se afirmar simplesmente
que sua causa principal se relaciona ao metabolismo próprio
de cada paciente, aliado às mudanças hormonais à que elas
estão sujeitas. Portanto, a tensão pré-menstrual (TPM) parece
e ser um distúrbio relacionado ao desequilíbrio entre os
dois principais hormônios femininos envolvidos na segunda
fase do ciclo menstrual, isto é, após o período da ovulação
e que precede a menstruação. Em alguns casos a TPM pode
ser resultante de distúrbios orgânicos que interferem no
funcionamento dos ovários, das supra-renais ou de alterações
no funcionamento cerebral. Outras vezes parece tratar-se
de uma conseqüência de alguma notável alteração emocional
afetiva.
Estudos
mostram que, em torno de 80% das mulheres em geral apresentam
algum tipo de alteração no período pré-menstrual e em 52%
delas os sintomas interferem drasticamente no humor, no
comportamento e no organismo. As conseqüências emocionais
da TPM podem afetar o relacionamento social, ocupacional
e conjugal dessas pessoas e o maior índice de violência
entre as mulheres está intimamente relacionado ao período
Pré-Menstrual?
Portanto, a Tensão Pré-Menstrual é um conjunto de alterações
físicas e emocionais que certas mulheres apresentam nos
dias que antecedem a menstruação. As principais alterações
emocionais são o humor irritável, depressivo ou instável,
podendo haver mudanças rápidas de atitude afetivas, como
por exemplo, passar de chorosa para irritável abruptamente.
Há ainda diminuição da tolerância com perda da paciência
e crises de explosividade a qualquer momento. Do lado depressivo
pode haver sensação de falta de energia, cansaço exagerado
e dificuldades de concentração. Do lado físico, as principais
alterações podem ser dores de cabeça, dores nas mamas, dores
nas juntas, ganho de peso, sensação de estar inchada, insônia
ou sonolência e alterações do apetite.
Para se fazer o diagnóstico é preciso que a mulher possua
os sintomas da TMP na maioria dos ciclos e não apenas em
alguns.
Sintomas
A sintomatologia da TPM pode ser considerada em 4 grupos,
os quais podem manifestar-se isoladamente ou em combinação
variável de pessoa-a-pessoa:
- com predomínio
de ansiedade e agressividade;
- com predomínio
de alterações afetivas, notadamente com sintomas depressivos.
- com predomínio
de queixas físicas resultantes de acúmulo e retenção de
líquidos;
- com predomínio
de alterações alimentares, desde anorexia ou bulimia,
ou mesmo alterações do apetite seletivo, como por exemplo,
vontade de consumir doces.
Esses 4 grupos
de sintomas da TPM se relacionam a alterações hormonais,
alterações bioquímicas e metabólicas, e a desequilíbrio
dos neurotransmissores (substâncias relacionadas à regulação
do humor, da disposição e do ânimo).
Apesar de 80%
da população geral feminina apresentar sintomas pré-menstruais,
apenas cerca de 8% costumam satisfazer os estritos critérios
de diagnóstico para a Síndrome Pré-Menstrual, conforme a
listagem abaixo.
Critérios
para Síndrome Pré-Menstrual
A paciente
deve apresentar por 2 ou 3 ciclos menstruais 5 ou mais sintomas
da lista abaixo na última semana do ciclo, devendo tais
sintomas estar ausentes na pós-menstruação
- Marcante humor depressivo, sentimentos
de desesperança ou autodepreciativos
- Marcante ansiedade e tensão
- Marcante labilidade afetiva
- Irritabilidade e/ou agressividade
marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal
- Diminuição do interesse para atividades
usuais
- Dificuldades de pensamento, memória
e concentração
- Cansaço, fadiga e perda de energia
- Alterações do apetite e/ou da
aceitação de determinados alimentos
- Alterações do sono (insônia ou
hipersonia)
- Sensação subjetiva de opressão
ou perder o controle
- Outros sintomas físicos tais como
turgência nos seios, cefaléia, dor muscular, inchaço,
ganho de peso.
- O
distúrbio deve interferir marcantemente com a ocupação,
atividades sociais e de relacionamento.
Apesar
desses critérios, a expressiva maioria das mulheres que
experimentam algum tipo de mal estar durante o período pré-menstrual,
embora não sejam rigidamente classificadas como portadoras
de Síndrome Pré-Menstrual, podem ser abordadas como portadoras
de Tensão Pré-Menstrual sob o ponto de vista clínico e terapêutico.
Causas
Na
década de 50 a médica inglesa Katrina Dalton repensou as
causas da Tensão Pré-Menstrual (TPM) relacionando-a, principalmente,
com a diminuição de progesterona durante o último quarto
do ciclo menstrual. Havia algumas observações sobre a diminuição
dos sintomas de TPM com o uso de progesterona nesta fase
do ciclo. Essa constatação acabou por estabelecer um período
de 30 anos onde se indicava a reposição desse hormônio como
tratamento para TPM.
Contudo,
nos últimos 12 anos as teorias acerca da alteração entre
progesterona e estrógenos têm sido sistematicamente refutadas.
Pesquisas têm demonstrado que os níveis de progesterona
e estrogênio são similares nas pacientes com TPM e naquelas
sem esse transtorno. Estudos duplo-cego mostraram que a
administração de progesterona não foi significantemente
mais efetiva do que a administração de placebos (comprimidos
sem nenhuma ação terapêutica).
As
atuais pesquisas sobre as causas da TPM têm cogitado complexos
mecanismos envolvendo hormônios ovarianos, opióides endógenos
(produzidos pelo sistema nervoso central), neurotransmissores,
prostaglandinas, sistema nervoso autônomo, sistema endócrino,
entre outros. As alterações no hipotálamo também têm despertado
grande interesse como uma das causas desencadeantes mais
provável de toda constelação fisiopatológica.
Um
aumento da sensibilidade da pessoa aos hormônios ovarianos
também pode satisfazer algumas teorias das causas de TPM,
já que não se constataram anormalidades nos níveis hormonais
(FSH, LH, estrógenos, progesterona, prolactina ou testosterona)
entre mulheres com e sem TPM.
Os níveis de estrogênio aumentam nas três primeiras semanas
do ciclo, assim como aumentam também as endorfinas fisiológicas
(substâncias analgésicas produzidas pelo sistema nervoso
central). Esse aumento é potencializado pelo aumento do
hormônio progesterona seguido da ovulação. Além de sua contribuição
para a sensação de bem estar, as endorfinas também aumentam
as sensações de fadiga queixadas por mulheres com TPM (Halbreich,
1981) .
Quando
os estrógenos e progesterona diminuem na quarta semana do
ciclo, também diminui a produção das endorfinas. Nesta fase
surgem os sintomas decorrentes da diminuição desse opiáceo
(fisiológico), tais como ansiedade, tensão, cólicas abdominais,
cefaléia, etc.
Os
componentes químicos envolvidos no estresse físico e emocional,
como o cortisol e adrenalina, por exemplo, também podem
estar aumentados na TPM. Talvez devido a esse fato, se constatam
relações evidentes entre experiência estressante e maior
severidade dos sintomas da TPM nesta fase do ciclo. Nota-se
que quando mais uma situação estressante persiste durante
a fase final do ciclo, maior será o desconforto na TPM.
Assim sendo, essas pacientes acabam sendo muito mais vulneráveis
aos estressores que as mulheres sem o transtorno. De qualquer
forma, ainda é temerário afirmar categoricamente que o stress
causa TPM ou, ao contrário, que a TPM sensibiliza mais as
mulheres ao estresse. Talvez seja uma situação sinérgica
(Atkins, 1997).
Também
algumas causas ambientais podem estar relacionadas a TPM.
Entre elas ressalta-se o papel da dieta alimentar. Alguns
alimentos parecem ter importante implicação no desenvolvimento
dos sintomas da TPM, como é o caso, por exemplo, do chocolate,
cafeína, sucos de frutas e álcool. As deficiências de vitamina
B6 e de magnésio também estão sendo consideradas, porém,
até o momento, o papel desses nutrientes na causa ou no
tratamento não tem sido confirmado (Halbreich, 1982).
Sabe-se
também que as alterações hormonais podem provocar uma retenção
maior de líquidos pelo corpo e em todos os órgãos femininos.
Esse edema é capaz de afetar, inclusive, a função cerebral,
pelo próprio acúmulo de líquidos no tecido neural. A retenção
de líquidos pode provocar até alterações do estado emocional,
tornando a paciente irritadiça, mal-humorada, inquieta,
com certo grau de ansiedade...
Alguns
autores atribuem a maioria das alterações observadas na
TPM à retenção de líquidos. Acreditam que esse edema pode
ser responsável pelas dores nas mamas, pelas dores musculares
e abdominais, pelo inchaço das mãos e pés, por alterações
metabólicas e do apetite, por maior consumo de carboidratos,
conseqüentemente pelo eventual aumento do peso e até pelo
aumento exagerado na vontade de comer chocolates e guloseimas
que só pioram o quadro geral.
Estudos
mostram que em torno de 80% das mulheres em geral apresentam
algum tipo de alteração no período pré-menstrual. A grosso
modo, 17% das mulheres com síndrome pré-menstrual apresenta
ciclos menstruais irregulares com duração menor que 26 dias
ou maior que 34 dias. Entre essas mulheres com TPM, 11%
já padecem de algum distúrbio do humor, normalmente de depressão
ou distimia, 5% apresenta transtornos alimentares, do tipo
anorexia ou bulimia. Isso significa que em bom número de
casos as portadoras de TPM já apresentam, antecipadamente,
algum transtorno afetivo depressivo ou ansioso.
Tratamento
Não há tratamentos
oficialmente padronizados para a TPM. O que se propõe são
formas de controle dos sintomas, que em alguns casos pode
ser bastante eficaz. As medicações mais usadas são os antidepressivos,
a bromocriptina, espirolactona, progesterona e estradiol.
Cada caso deve ser avaliado individualmente para que seja
designada um tratamento personalizado.
Inúmeras vitaminas, minerais
e aminoácidos quando ministrados de maneira criteriosa podem
abolir os desagradáveis sintomas das TPM. Os pacientes não
devem usá-los sem orientação, imitando um tratamento preconizado
para outra pessoa, já que alguns suplementos pioram ou melhoram
as TPM na dependência de dosagens apropriadas e de utilização
em dias adequados do ciclo menstrual. A par da suplementação
apoiada em antioxidantes, elementos do complexo B, minerais,
alguns aminoácidos e ácidos graxos polinsaturados, também
é necessário um ajuste dietético com aumento da ingestão
de fibras, redução de gorduras saturadas (gorduras animais)
e de hidratos de carbono simples (açúcar e mel principalmente);
redução do consumo de sal e cafeína (café, chá, refrigerantes
do grupo cola, guaraná); limitar a ingestão de produtos
lácteos (leite e derivados). Não se deve abusar de bebidas
alcoólicas e recomenda-se a redução do stress e prática
de exercícios. As mulheres com tensão pré-menstrual devem
limitar o consumo de alimentos gordurosos e o excesso de
proteínas. Um tipo especial de gordura contudo é extremamente
útil - o ácido cis-linoleico - encontrado em alguns óleos,
especialmente o de girassol.
As verduras, legumes, cereais
e leguminosas, especialmente os integrais, fornecem grande
parte dos elementos nutricionais que propiciam o adequado
equilíbrio entre hormônios femininos, corrigindo as TPM.
Antidepressivos
e Tensão Pré-Menstrual
O papel da serotonina nos transtornos da TPM tem sido
cogitado nos últimos anos. O aumento nos níveis de andrógenos,
especificamente aqueles isentos da testosterona podem influenciar
o mecanismo serotoninérgico, resultando em disforia, em
mudanças do apetite, da disposição e no aumento da irritabilidade
(Endicott, 1981, 1982). Essas observações se baseiam em
achados sobre uma diminuição da serotonina sanguínea e alterações
de sua recaptação durante a fase luteínica do ciclo. Simultaneamente
há, ainda nesta fase do ciclo, um aumento da sensibilidade
dos receptores 5-HT1A (serotonina).
É, talvez, devido a tais alterações nos níveis de
serotonina que se justifica o eficiente papel dos antidepressivos,
notadamente dos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina
(ISRS), para o tratamento da TPM. Outros neurotransmissores
podem ter também um papel importante na TPM.
Outra evidência na TPM é em relação ao limiar de pânico.
O declínio dos níveis de progesterona na fase lútea, juntamente
com o aumento do PCO2 resultam sintomas de opressão e falta
de ar, sintomas estes envolvidos na sensação de alarme e
considerados como sintomas de pânico.
Os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação
da Serotonina (ISRS) têm sido recomendados como a primeira
linha de tratamento (Atkins, 1997) para o alívio dos sintomas
de alteração do humor na TPM. Sintomas físicos ou a valorização
psicológica dos sintomas físicos desse transtorno são também
enormemente beneficiados pelos antidepressivos.
A fluoxetina, a sertralina, a paroxetina e o citalopram,
todos ISRSs, atua favoravelmente nos transtornos disfóricos
que acompanham grande número de casos de TPM, notadamente
na irritabilidade, angústia e depressão conforme publicação
do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos E.U.A (1996).
Estudos duplo-cego mostram uma ação muito melhor dos
ISRS em comparação ao placebo para o controle do componente
emocional da TPM, notadamente quando a disforia é uma manifestação
marcante (Yonkers, 1997). Alguns trabalhos mostram que a
sertralina, mesmo usada intermitentemente apenas durante
os últimos 10 dias do ciclo e na dose de 75 a 100 mg/dia,
apresentara uma resposta tão satisfatória quanto se usada
durante todo o período (Halbreich, 1997).
Um dos fatores que vêm favorecendo a utilização dos
ISRS para o tratamento do componente emocional da TPM é
a tolerabilidade e escassez de efeitos colaterais significativos
e a segurança quanto à dependência (Freeman, 1997).
Fonte: PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2001
- disponível em http://www.psiqweb.med.br/sexo/tpm.php |